Reuniao com Trebor Schulz no INSEA - cooperativismo plataforma
maio 15, 2019 Nenhum Comentário

Tecnologias digitais a serviço do cooperativismo

Já pensou uma plataforma feita por e para catadores de materiais recicláveis?

Reunião com Trebor Scholz, no INSEA.

Reunião com Trebor Scholz, no INSEA.

Na última segunda feira, 13/05, o INSEA recebeu a visita do professor e ativista americano, Trebor Scholz, para um bate-papo com técnicos sociais e lideranças de catadores. Ele é o principal difusor do movimento “Cooperativismo de Plataforma”  e está visitando o Brasil para investigar os desafios e oportunidades para negócios coletivos e cooperativistas na era das plataformas digitais.

Na conversa, o professor Trebor Scholz buscou entender sobre o funcionamento das cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis, abordando questões como fluxos de comercialização, ganhos e dificuldades.

Nely Medeiros, presidente da Coopersoli Barreiro, e Márcio Antonio, cooperado da Coopesol Leste, apontaram desafios em relação a intermediadores da cadeia de comercialização de produtos recicláveis, que ditam preços e prejudicam a previsibilidade de ganhos das cooperativas. “Em períodos de maior oferta de materiais recicláveis, como Natal e Reveillon, por exemplo, o preço de venda dos materiais cai. Isso porque os atravessadores determinam pagar um preço menor por eles”, relata Nely.

“São os grandes aparistas e atravessadores que ganham mais sempre. Quem trabalha na coleta e na triagem dos materiais nunca determina o preço. Ou seja, fica com a maior parte do trabalho e a menor renda”, pontua Gilberto Chagas, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

Trebor Scholz destacou a importância do protagonismo dos catadores na gestão de todos os processos, propondo que essa máxima seja levada ao meio digital, para que tenham mais autonomia e valorização. “Os catadores têm construído uma força política muito importante no Brasil. Por isso, dar voz a eles através da plataforma é fundamental”.

Reuniao com Trebor Schulz no INSEA - cooperativismo plataforma 3Por fim, Trebor Scholz suscitou a criação de uma plataforma que seja capaz de promover não somente o aspecto econômico e facilitar as transações financeiras, mas também de potencializar o lado social e político das organizações. E, para continuar a reflexão e apoio, convidou os catadores, junto ao INSEA e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a pensarem os desafios dessa rede de cooperativismo de plataforma para os trabalhadores da reciclagem. A partir deste encontro, passamos a fazer parte do grupo de estudos e criações sobre ‘Cooperativismo de plataformas’ coordenado por Trebor Scholz.

O que é cooperativismo de plataforma

COOPERATIVISMO-DE-PLATAFORMA-440x620Lançado nos Estados Unidos no ano passado, o “cooperativismo de plataforma” propõe um projeto de reconstrução das economias digitais em bases democráticas e solidárias. Um modelo alternativo ao que ele chama de “capitalismo de plataforma” avançado pela UberAirBnb e outras plataformas mundialmente conhecidas. Segundo Scholz, essas empresas se estruturam como multinacionais tradicionais, com alto grau de verticalização, opressão dos funcionários de baixa escala (os “usuários”) e conselhos de administração voltados à maximização do retorno de investidores capitalistas. Por trás do discurso do “compartilhamento” se esconde uma agenda de concentração de riqueza, precarização do trabalho, destituição de direitos trabalhistas e altos retornos para o setor financeiro que banca tais plataformas globais.

Portanto, a proposta do “cooperativismo de plataforma” é que a estrutura e a lógica das plataformas de serviços e de produção sejam tomadas pelos usuários e trabalhadores. A ideia, lançada em 2014, seria criar uma espécie de Uber dos próprios motoristas, ou um AirBnb de propriedade de uma comunidade local. Nesse programa econômico e político, é imperativo um retorno aos princípios do cooperativismo: a propriedade deve ser coletiva, o negócio deve ser democraticamente controlado, a missão deve ser garantir empregos e a solidariedade deve embasar mecanismos de apoio mútuo.

 Texto e fotos: Brígida Alvim

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