Foto: Leo Lara / Studio Cerri
dezembro 19, 2019 Nenhum Comentário

Presépio feito a 500 mãos com materiais recicláveis em exposição em Belo Horizonte

Projeto colaborativo construído por 250 pessoas tem curadoria de Léo Piló e visitação gratuita até 6 de janeiro, na Casa Fiat de Cultura

Foto: Leo Lara / Studio Cerri

Foto: Leo Lara / Studio Cerri

Um trem atravessa uma cidadezinha arborizada onde coexistem casas e ocas, passando por bairros de construções históricas e contemporâneas. No alto da montanha, um letreiro no qual lê-se “Merry Christmas” (“Feliz Natal”) anuncia as comemorações de dezembro. Das janelas do trem é possível ver diversos presépios espalhados pelas ruas, dos mais tradicionais aos mais curiosos, onde misturam-se ovelhas e lhamas. Lá atrás, um vulcão adormecido consente com os preparativos para um alegre Natal. Essa minicidade imaginária é o novo Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura, construído com a participação do público e curadoria do artista plástico Leo Piló. A 4ª edição do projeto é uma homenagem ao Presépio do Pipiripau, criado pelo artesão mineiro Raimundo Machado Azeredo e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e inspira a mineiridade de cada visitante que se dedicou à construção. A entrada e a programação paralela são gratuitas e o presépio fica aberto à visitação até 6 de janeiro.

Inspirados no Presépio do Pipiripau, que se tornou uma minicidade ao longo dos 82 anos em que foi construído, as 500 pessoas que participaram do Ateliê Aberto do Presépio Colaborativo, da Casa Fiat de Cultura, mostraram o que é a mineiridade nos dias de hoje. Para o curador Leo Piló, o engajamento do público na confecção das peças foi essencial: “nesta edição, o envolvimento das pessoas transformou ainda mais o presépio. Os participantes reinventaram a ideia de cidade, deram identidade a cada bairro e cada personagem. Começamos a construir uma cidade de interior em torno de uma ferrovia, como acontecia antigamente, e com o tempo trouxemos mais tecnologia a alguns bairros de acordo com as sugestões dos visitantes que quiseram colocar aviões, por exemplo. Agora temos uma cidade mista, com o toque de cada pessoa que passou pelas oficinas”, detalha o artista.

Como nas edições anteriores, o Presépio Colaborativo foi construído inteiramente com materiais reciclados: papelão, isopor e paletes doados pela Ilha Ecológica da Fiat e caixas de remédio vazias doadas pelo público que participou das oficinas. “O papelão foi o principal material que utilizamos neste ano. No Brasil, 66% do papel fabricado já é reutilizado, mas queremos que este número cresça e esperamos incentivar as pessoas por meio da arte”, aponta Leo Piló.

Foram confeccionadas 1.200 casinhas nos 16 bairros do presépio. Entre igrejas, fábricas e quintais com balanços e roupas no varal, as janelas iluminadas e o trem em movimento dão vida à cidade. O ar interiorano do curral e da região inspirada na arquitetura de Ouro Preto é contrastado, mais à frente, com um aeroporto e ruas onde passam carros. Da área indígena à industrial, um verdadeiro encontro das tradições e das inovações em uma só cidade, trazendo a mensagem da sustentabilidade.

Presépio do Pipiripau

Presépio Piripau, feito de materiais reciclados, é criação do artesão Raimundo Machado Azeredo. Foto: ristiano Quintino.

Presépio Piripau, feito de materiais reciclados, é criação do artesão Raimundo Machado Azeredo. Foto: Cristiano Quintino.

A inspiração do Presépio Colaborativo Belo Horizonte é o único lugar que tem um presépio contínuo, dinâmico e presente na vida da cidade. O Presépio do Pipiripau é uma obra tombada pelo Iphan, construída ao longo de 82 anos, de 1906 a 1988, e narra o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Cristo. A obra tem cerca de três mil objetos e 45 cenas que mobilizam 586 figuras em uma área de 20 m². Todo o mecanismo, feito de materiais reciclados, é criação do artesão Raimundo Machado Azeredo. “O que faz desta instalação ser tão importante para a cidade é que ela ultrapassa o viés religioso. Além de ser uma grande obra de arte, tem a mineiridade como base de sua construção, com cenas cotidianas de uma BH que surgiu planejada, mas que, por muito tempo, manteve características interioranas”, explica a coordenadora do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura, Clarita Gonzaga.

A homenagem ao Presépio do Pipiripau não se encerra na ideia de criar uma minicidade mineira. A exposição também conta com uma linha do tempo da vida de Seu Raimundo, que começou a construir o presépio aos 12 anos de idade, mostrando como a obra fez parte de toda a sua história, e inclui um áudio original do artesão explicando a origem no nome “Pipiripau”. Também serão exibidas cenas do filme “Pipiripau: O Mundo de Raimundo”, dirigido por Aluizio Salles Júnior, que mostram como Seu Raimundo criou uma obra sem equivalentes e de eterno significado para as comemorações natalinas de Belo Horizonte. Uma história que se entrelaça com a própria história da jovem capital de Minas Gerais. Aqueles que desejarem conhecer o Presépio do Pipiripau podem visitar a instalação às quartas, quintas e sextas-feiras, às 11 e às 16 horas, e aos sábados e domingos, às 11h, 12h, 15h e 17h, no Museu de História Natural da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), localizado na Avenida Gustavo da Silveira, nº 1035, no bairro Horto.

Exposição interativa

Além de conhecer o Presépio Colaborativo, o público poderá deixar mensagens de Natal em cartões que serão pendurados em uma árvore no espaço expositivo. Alguns objetos interativos criados por Leo Piló também estarão disponíveis para manuseio. São engenhocas que remetem àquelas feitas por Raimundo Machado para dar movimento ao Presépio do Pipiripau. Feitas de madeira, cordas e outros materiais tradicionais, lembram brinquedos antigos que prometem alegrar a visitação.

Programação paralela

Ateliê Aberto: Cartões de Natal Em dezembro o público pode usar a criatividade e confeccionar seus próprios cartões de Natal no Ateliê Aberto da Casa Fiat de Cultura. A técnica utilizada é a de pop-up, com a qual é possível criar mensagens e imagens em 3D. O ateliê continua funcionando nos dias 8, 9, 15, 16, 19, 20, 21 de dezembro em três horários, às 10h30, às 14h e às 16h, com 15 vagas em cada um. A participação é gratuita e não é necessidade fazer inscrição prévia.

O artista Leo Piló

Léo Piló é incentivador da reciclagem e da reutilizaçao. Foto: Léo Lara / Divulgaçao

Léo Piló é incentivador da reciclagem e da reutilizaçao. Foto: Léo Lara / Divulgaçao

Mineiro de Belo Horizonte, Leo Piló é um artista inquieto, criativo, simples e dinâmico. Apresenta trabalhos inusitados, feitos de materiais não convencionais, treinando os olhares para novas possibilidades de construção – que revise atitudes e métodos de redução, reciclagem e reutilização – e meios de sustentabilidade.

Sempre compartilhando as técnicas desenvolvidas por meio do aprendizado, o artista procura criar um elo entre arte e natureza, promovendo metodologia de reutilização de resíduos urbanos e gerando novas possibilidades inseridas na realidade atual, em termos de cultura, arte, educação, recursos econômicos e outros benefícios. O lixo se tornou uma especialidade com o trabalho desenvolvido através da reciclagem e dos catadores com o artista Leo Piló que sempre tem como foco a busca de nova consciência ecológica e a pragmaticidade do seu trabalho na sociedade.

Durante quase 15 anos, o artista trabalhou na associação ASMARE e ministrou várias oficinas de cenografia, costura, novas possibilidades, papelaria e marcenaria. Um dos grandes destaques de sua carreira foi a exposição Lixoarte, que tinha como objetivo criar, com materiais recicláveis, móveis e objetos para mobiliar uma casa. Em 2014, Leo Piló criou instalações para a exposição “Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura”, por Ronaldo Fraga, e, desde 2015, é o curador do Presépio da Casa Fiat de Cultura.

> SERVIÇO

Exposição do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura
Até 6 de janeiro de 2020. Entrada gratuita.

Programação paralela
Ateliê Aberto: Cartões de Natal 8, 9, 15, 16, 19, 20, 21 de dezembro, às 10h30, 14h e 16h. Gratuito.

Onde: Casa Fiat de Cultura, no Circuito Liberdade – Praça da Liberdade, 10, Funcionários – BH/MG
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h; Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.
Informações: (31) 3289-8900
www.casafiatdecultura.com.br

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