Seminario Coco Macauba - Ciclos Insea (1)
maio 24, 2019 1 Comentário

Novo horizonte para a economia mineira

Seminário aborda potencial do Coco Macaúba e abre perspectivas para geração de energia renovável e de produtos de alto valor agregado a partir do fruto

Texto e fotos: Brígida Alvim

1º Seminário Ciclos foi oferecido gratuitamente com o propósito de fomentar o plantio, extrativismo e produçao de Coco Macaúba na regiao metropolitanaSeminário foi oferecido pelo Ciclos/INSEA para fomentar o plantio, extrativismo e produção de Coco Macaúba na RMBH

O 1º Seminário Regional sobre o potencial de desenvolvimento do cultivo e extrativismo do Coco Macaúba abriu novas perspectivas para a produção de energia renovável em Minas Gerais. O evento foi realizado dia 21 de maio, no Centro Educacional da Fundação Caio Martins (FUCAM), em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte.

Na ocasião, 100 participantes entre produtores rurais, indígenas, pesquisadores, técnicos de instituições, governos e empresas puderam trocar experiências e conhecimentos sobre esta importante cultura, que é a segunda oleaginosa mais produtiva do mundo, ficando atrás somente do dendê. O Coco Macaúba é considerado “ouro verde de Minas” por seu potencial de produção de óleos para indústria alimentícia, farmacêutica, cosméticos, de biocombustíveis, lubrificantes de motores, ração proteica animal e carvão ativado de qualidade.

O Seminário foi oferecido gratuitamente pelo INSEA em parceria com a FUCAM, com o propósito de fomentar o plantio, o extrativismo e a produção de Coco Macaúba em Esmeraldas e adjacências, onde há um grande maciço da espécie. Participaram moradores e produtores da região, representantes da Prefeitura de Esmeraldas, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Cooper Riachão, entre outras instituições.

O INSEA compartilhou que pretende montar uma planta de beneficiamento do Coco Macaúba em seu Parque Tecnológico da Reciclagem Popular – Ciclos, vizinho à FUCAM, para produzir os óleos necessários para fármacos e cosméticos, além de alimentos, ração, insumos para agricultura e biodiesel. “O mundo exige de nós a transição para uma nova consciência econômica e ambiental, em que é necessário devolver os recursos naturais e resgatar valores humanos para relações mais saudáveis. Rumo à Economia Circular é preciso pensar um modelo virtuoso onde o recurso é um bem e os atores se conectam unindo forças e vencendo a ideia de concorrência. É  nesse sentido que estamos pensando o coco macaúba, juntando expertises de governo, instituições, universidades e pessoas, para estabelecer ecossistemas cooperativos com economias locais fortalecidas”, anuncia Luciano Marcos Silva, diretor do INSEA e do Ciclos.

Novo horizonte para a produção de óleo

Derivados são matéria-prima para fármacos, cosméticos, alimentos, insumos para agricultura, biodiesel, carvão

Derivados do fruto são matéria-prima para fármacos, cosméticos, alimentos, insumos para agricultura, biodiesel, carvão

O químico e professor Teddy Marques, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) / Campus Montes Claros, especialista em “Óleos do Cerrado”, apresentou dados que comprovam o potencial da Macaúba.  Dentre eles, o de que 80% do óleo produzido no mundo são extraídos de apenas 4 oleaginosas (soja, dendê, canola e girassol) e no Brasil 70% do óleo produzido provém da soja. Ele conta que a produção e o estoque de óleo em todo o mundo estão abaixo do necessário para o nível de consumo atual e que o plantio concentrado de espécies como a soja, a palma e o dendê ameaça a biodiversidade. “Por isso é urgente e necessário inserir outra oleaginosa nesse rol. O mundo demanda”, reforça.

A Macaúba é uma espécie abundante no Brasil, com maior concentração em Minas Gerais. De acordo com os estudos do professor, ela apresenta todas as características desejáveis em um óleo vegetal: bom sabor, boa cor, alta estabilidade, boa performance industrial, custo competitivo e sustentabilidade da cadeia produtiva. Ele estima ainda que há cerca de 11 milhões de hectares de Macaúba no Brasil, capazes de gerar: de 20 a 30 toneladas de coco por ano a cada 200 plantas; e produzir de 2.800 a 6.000 kg de óleo por hectares/ano.

No Coco Macaúba tudo pode ser aproveitado: a casca, o mesocarpo (polpa), o endocarpo e a amêndoa (semente). O fruto é rico em ácido oléico e ácido láurico, que são benéficos para a saúde do coração e o bom funcionamento do metabolismo.

Outro dado relevante é que a Macaúba nativa não requer gasto energético extra em sua produção. “Podemos enxergar uma cadeia de custódia, visto que toda a cadeia produtiva pode ser sustentável, incluindo coleta, transporte, extração de óleo e biorefinaria, até chegar ao bioquerosene, um produto apto a abastecer aeronaves”, explica o especialista.

Ambiente de boas trocas e parcerias

Seminario Coco Macauba - Ciclos Insea (4)

Produtores, indígenas, pesquisadores, técnicos de instituições, governos e empresas trocaram experiências e conhecimentos

Todas as presenças e trocas do Seminário foram fundamentais para o primeiro passo de fomento ao desenvolvimento local a partir do cultivo e produção do coco macaúba na região metropolitana de Belo Horizonte.

As irmãs Hélia Maria Baeça e Silvéria Aparecida Baeça, vizinhas do Ciclos/INSEA na região rural de Esmeraldas, contam que o Coco Macaúba sempre fez parte da história de sua família. “Quando éramos crianças, nossos pais tiravam proveito do coco macaúba fazendo sabão da polpa, extraindo óleo da castanha para cozinhar, moendo e misturando a casca ao milho para a ração de gado. Nós usávamos o óleo para hidratar os cabelos, fervíamos a polpa com leite e comíamos tanto da castanha que até dava furúnculo”, relembram as duas, em gargalhadas. Com o seminário, elas agora sabem que o valor do Coco Macaúba vai muito além do afetivo e pode se tornar uma renda extra para a família.

Benedito Sousa, assistente de operações da Superintendência Regional da Conab MG, apresentou o funcionamento do Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM-Bio), que faz a subvenção / complementação de preço mínimo de venda para famílias que fazem a extração de produtos nativos, como o coco da macaúba. “É um incentivo ao extrativismo de frutos que resgatam a cultura e o modo de vida de povos tradicionais, gerando valor e preservação de espécies importantes para a biodiversidade brasileira. Assim, o programa visa ao aumento de renda junto à preservação ambiental”, explica.

João Elias, diretor administrativo da cooperativa de agricultores familiares e agroextrativista ambiental do Vale do Riachão (Cooper Riachão), contou a história e os desafios iniciais enfrentados por pequenos agricultores para cultivo e extrativismo do Coco Macaúba na região de Mirabela, Norte de Minas. Hoje a Cooper Riachão conta com 42 cooperados, 400 famílias fornecendo matéria-prima e uma Unidade de Beneficiamento do Coco Macaúba (UBCM) que produz óleo da polpa, óleo da amêndoa, sabão em barra e em pó, sabonete, shampoo, condicionador, ração de polpa de coco, torta da amêndoa. A usina é capaz de processar uma tonelada de coco macaúba por dia. Parte do biodiesel produzido é vendido para a Petrobrás.

Carlos Malta, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, apresentou a Plataforma Mineira de Bioquerosene e Renováveis, um estudo de viabilidade econômica com foco na Macaúba. “Temos percebido cada vez mais a demanda por novas formas de produção de combustíveis renováveis, por isso fiquei muito feliz e surpreso com este encontro. A instalação de uma unidade de produção de óleos e derivados do Coco Macaúba na região metropolitana está totalmente de acordo com os caminhos que buscamos para destacar Minas na seara da produção de energias sustentáveis. Para isso, precisamos unir forças”, disse, demonstrando intenção de parceria.

Alvimar José Tito, presidente da FUCAM, conta que a gestão está se empenhando para criar centros de referência de empreendimentos populares dentro dos já existentes Centros Educacionais, de modo a estimular possibilidades de trabalho e renda para as populações mais vulneráveis nas diversas regiões do estado onde atua. “O Seminário foi muito instrutivo e trouxe informações relevantes para esse novo direcionamento. Assim como o INSEA, a FUCAM visa como lucro o bem-estar social e vamos trabalhar de forma articulada e intersetorial para gerar oportunidades às famílias”.

Fábio Meira, engenheiro responsável pelo Parque Tecnológico da Reciclagem Popular – Ciclos/INSEA, considera: “O seminário traz a possibilidade de trabalhar a macaúba perto de Belo Horizonte, possibilitando o acesso privilegiado de pesquisadores da UFMG e de membros do governo. Isso traz visibilidade à essa espécie ainda negligenciada pelo mercado, podendo acelerar os processos de pesquisa relacionados à palmeira, agregando ainda mais valor aos seus produtos. Ainda, a possibilidade de obter renda imediata por meio de venda à Cooper Riachão está animando os agricultores a investirem seu tempo no trato das mudas que antes eram um problema e agora serão vistas como “Ouro Verde”. Quando a unidade de beneficiamento que faremos junto ao Ciclos – Parque Tecnológico da Reciclagem estiver pronta já teremos uma grande mobilidade dos agricultores a respeito da macaúba, o que nos dá a segurança de investir em uma unidade de porte maior”, conclui.

Comments

    Benedito Castro de Sousa

    Parabéns a todos pela iniciativa. O seminário foi excelente e a perspectiva para o sucesso dessa empreitada é muito grande.

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