Adriano Machado | Reuters
março 22, 2021 Nenhum Comentário

Dia Mundial da Água é lembrado com dor e saudade pelos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe em MG

Morte do rio Paraopeba interrompe relação sagrada entre águas e indígenas atingidos por rompimento de barragem

“Um velório sem enterro”. É assim que os Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe, em MG, resumem seu convívio com o rio Paraopeba. Nos últimos dois anos, dor e saudade vem marcando o Dia Mundial da Água (22) para os indígenas da aldeia Naô Xohã e Katurãma.

O rompimento da barragem BI, da mina Córrego do Feijão, da Vale, ocorrido há dois anos em Brumadinho, interrompeu a relação entre os povos tradicionais e o Paraopeba. Berço de um ritual sagrado de purificação e fortalecimento do espírito, era ali que reverenciavam Txopai, “o pai das águas”.

Hoje, mais de dois anos após o desastre, os impactos hídricos ainda são sentidos pelos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe. O Paraopeba corre a poucos metros da aldeia Naô Xohã, em São Joaquim de Bicas, e não só era fonte de espiritualidade, mas também de pesca, lazer e higiene. Os indígenas não tiveram outra escolha senão trocar a água sagrada do rio por garrafas de água mineral fornecidas pela Vale, gerando grande volume de resíduos. 

Aqueles cujo rompimento forçou a deixarem a aldeia para viver nas periferias de Belo Horizonte, como integrantes da aldeia Katurãma, também passaram a viver uma relação impessoal com a água que sai das torneiras. “Estamos sofrendo com essa distância do nosso rio sagrado. A água que temos acesso em BH é uma água que não nos cura, não permite o batismo das nossas crianças. A falta que o rio nos faz acaba nos adoecendo”, denuncia o cacique Hayô Pataxó Hã-hã-hãe.

Em outubro, os Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe realizam a Festa das Águas, em que reúnem os parentes em um dos mais importantes rituais de sua cultura. Realizado para celebrar a chegada das chuvas e agradecer a Txopai e a Niamissu (Deus) pela fartura dos alimentos, desde outubro de 2019 esse ritual também não pode mais ser realizado. “Depois do rompimento e da contaminação, nos foi tirado o direito ao ritual sagrado”, lamenta o cacique Arakuã Pataxó.

No Dia Mundial da Água, indígenas atingidos pelo rompimento da barragem da Vale seguem lutando por justiça hídrica e pela reparação integral dos danos ambientais para que possam, na medida do possível, reconstruir sua relação com a água. 

“A ruptura do contato com o rio tem impactos materiais e imateriais na cultura dos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe. Esses impactos precisam ser mensurados em toda sua magnitude e complexidade, no âmbito individual e coletivo dos indígenas”, diz Guilherme Tampieri, coordenador da Assessoria Técnica Independente executada pelo Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável, o INSEA.

Nossos Parceiros

A dedicação e empenho dessas instituições, tornaram possíveis a produção e continuidade dos projetos desenvolvidos pelo INSEA.


Hoje o Insea atua em mais de 20 projetos com o apoio dessas instituições. Sua empresa também pode ajudar a construir esta história! Entre em contato! Entre em contato!

cemig
ABHIPEC
danone-novo_cilco-parceiro-logo
dka_austria
wiego
Funcacao-bb
petrobras
governo_federal-insea
mncr
Desenvolvido por mOiDesign.
Todos os direitos reservados | INSEA