Entrega dos caminhoes Coleta seletiva BH_foto Gilberto Chagas (24)
setembro 18, 2019 Nenhum Comentário

Coleta seletiva em BH agora é com catadores!

Prefeitura de Belo Horizonte contrata organizações de catadores para prestação de serviços de coleta seletiva na cidade, seguindo à recomendação da Política Nacional de Resíduos Sólidos

O prefeito Alexandre Kalil fez pessoalmente a entrega das chaves dos caminhões. Fotos: Gilberto Chagas / MNCR

O prefeito Alexandre Kalil fez a entrega das chaves dos caminhões. Fotos: Gilberto Chagas / MNCR

Belo Horizonte tem motivo para comemorar! A partir desta segunda-feira, 16 de setembro de 2019, a coleta seletiva porta a porta de Belo Horizonte passa a ser feita por associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis. O serviço será feito por seis organizações integrantes do Fórum Municipal Lixo e Cidadania do município, contratadas pela Superintendência de Limpeza Urbana – SLU para executar a mão de obra, enquanto a autarquia continua responsável pelo planejamento e fiscalização do serviço. A entrega de seis caminhões compactadores para a atividade foi feita nessa segunda-feira, em um evento no Parque Municipal, onde as chaves dos veículos foram entregues às cooperativas pelas mãos do prefeito, Alexandre Kalil, e do superintendente de Limpeza Urbana, Genedempsey Bicalho Cruz. A iniciativa beneficiará diretamente cerca de 200 catadores.

Madalena Rodrigues (Madá): "É um direito conquistado"

Madalena Rodrigues (Madá): “É um direito conquistado de mais de 30 anos de luta.”

“Incluir catadoras e catadores na prestação do serviço de coleta seletiva é uma das políticas públicas mais louváveis, por garantir às pessoas a chance de sobreviverem do próprio trabalho e não de assistencialismo. Este é um momento de grandeza para as cooperativas e associações, que conquistaram esse direito após mais de 30 anos de luta”, declara Maria Madalena Rodrigues Duarte Lima (Madá), diretora da Rede Cataunidos – Cooperativa de Reciclagem da Rede de Economia Solidária.

Para o diretor presidente do INSEA, Luciano Marcos Silva, a contratação e pagamento dos serviços de coleta seletiva é um passo fundamental para garantir o reconhecimento dos catadores como prestadores de serviços da limpeza pública. “Um passo fundamental para garantir novos modelos sustentáveis das cidades, de fortalecimento do cooperativismo como meio de assegurar trabalho e renda, e maior consciência cidadã para o conjunto da sociedade. O exemplo de Belo Horizonte é inspirador para todo o Brasil”, avalia. O INSEA atuou como parceiro e apoio técnico das cooperativas e associações ligadas à Rede Cataunidos, nos preparos e adequações para a contratação da SLU, juntamente com o Observatório da Reciclagem Inclusiva e Solidária – ORIS.

O INSEA atuou como parceiro e apoio técnico das cooperativas e associações ligadas à Rede Cataunidos.

INSEA atuou como parceiro e apoio técnico das cooperativas e associações ligadas à Rede Cataunidos.

Atualmente, a coleta seletiva porta a porta é realizada de segunda-feira a sábado em 36 bairros da capital, atendendo a uma população aproximada de 388 mil habitantes. Nos primeiros 30 dias de coleta seletiva feita pelas cooperativas, os motoristas serão acompanhados por funcionários da SLU, até que possam memorizar a rota. Após este período, uma campanha de mobilização social será feita com os moradores atendidos pelo serviço, visando aumentar o número de adeptos da coleta seletiva.

De acordo com a diretora de Gestão e Planejamento da SLU, Patrícia de Castro Batista, a contratação das cooperativas representa um grande avanço social, uma vez que com a nova receita vinda da prestação do serviço, elas terão condições de crescer e de agregar mais cooperados, tirando da informalidade catadores que fazem o serviço de forma avulsa, estando a maioria em situação de rua. “A expectativa é de que os belo-horizontinos se identifiquem com essa proposta social e aumentam a quantidade e qualidade dos produtos separados para a coleta seletiva”, estima. A diretora também ressalta ganhos ambientais. “A coleta seletiva proporciona diminuição da exploração dos recursos naturais, economia de energia, melhoria da limpeza da cidade e da qualidade de vida da população e o aumento da vida útil dos aterros sanitários”.

Experiência do Floresta inspirou a contratação de cooperativas

Andréa Frois, diretora operacional SLU

Andréa Frois: “Coleta mais qualificada com catadores”.

Andrea Frois, diretora de Operações da SLU, conta que o que motivou a contratação de associações e cooperativas para a coleta seletiva porta a porta em Belo Horizonte foi a experiência piloto da Coopesol Leste no bairro Floresta. Iniciada há cinco anos pela cooperativa com o apoio dos moradores do bairro, a experiência mostra que a participação direta de catadores resulta em maior qualidade de materiais (mais reaproveitamento e menor índice de rejeitos, que são materiais sem reciclabilidade e sem mercado).

Outro motivo, segundo a diretora, é que a inclusão qualificada de catadores na coleta seletiva da cidade é uma diretriz de governo do prefeito Alexandre Kalil, que assumiu esse compromisso no inicio de sua gestão, em 2017. “Desde então, ao longo de dois anos e meio, a equipe da SLU dedicou-se ao planejamento da mudança e à adequação da contratação de catadores à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Já as associações e cooperativas se adequaram para atender às exigências de contratação do município e às normas de segurança do serviço”.

Vilma Stevam, junto ao motorista da Coopesol Leste

Vilma Stevam, Coopesol Leste, junto ao motorista Diógenes: “A contratação dará mais credibilidade ao serviço de coleta seletiva”.

Vilma Stevam, presidente da Coopesol Leste, responsável pela coleta seletiva do bairro Floresta, que até então era a única prestada por catadores com contratação de serviço pela Prefeitura, é também responsável pela coleta seletiva do bairro Santa Tereza, que ainda é feita de forma autogestionada, por meio da Rede Lixo Zero Santa Tereza, sem reconhecimento e apoio da SLU. Vilma garante que a partir da contratação de cooperativas, o município contará com maior eficiência do serviço. “Por experiência própria, posso dizer que a contratação de cooperativas e associações dará mais credibilidade ao serviço, porque as pessoas gostam de ver a coleta seletiva feita por catadores e ter a certeza de que os materiais irão para galpões de reciclagem. Por isso, a adesão da população à coleta seletiva é maior do que quando é prestada por empresas terceirizadas”, avalia.

No trabalho de mobilização porta a porta, Vilma diz que “não há ninguém melhor que catadoras e catadores para abordar diretamente as pessoas e explicar sobre a separação de materiais, por conhecerem todo o processo da reciclagem e terem envolvimento direto com a causa”. Ela considera que é grande a responsabilidade de prestar um serviço de qualidade, atendendo bem à Prefeitura e à população de Belo Horizonte, mas acredita que vale muito o desafio. “A cidade vai ganhar em garantia de qualidade do serviço e do material coletado e contribuir para mais oportunidades de capacitação, trabalho e renda para catadores de materiais recicláveis”, conclui Vilma.

A SLU também reconhece a competência das organizações de catadores nas campanhas de conscientização da população. E, com a certeza de uma parceria promissora, planeja a ampliação da coleta seletiva no município. “Nossa perspectiva é de até o fim deste ano adicionar 11 novos bairros na rota de coleta seletiva porta a porta da cidade”, afirma a diretora de operações, Andréa Frois.

Mãos à obra

Os caminhões foram entregues às seis cooperativas agora responsáveis pel coleta seletiva de Belo Horizonte.

Seis cooperativas agora são responsáveis pela coleta seletiva de Belo Horizonte.

As cooperativas que prestarão o serviço da coleta seletiva foram cadastradas por meio de chamamento público e contratadas com dispensa de licitação. São elas: Asmare (Associaçao dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável); Associrecicle (Associação dos Recicladores de Belo Horizonte), Coomarp (Cooperativa dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis da Pampulha Ltda); Coopemar (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Região Oeste de BH); Coopesol (Cooperativa Solidária de Trabalhadores e Grupos Produtivos da Região Leste) e Coopersoli (Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região).

A SLU informa que a prestação da coleta seletiva porta a porta pelas cooperativas é mais uma iniciativa no sentido de incrementar a coleta seletiva da cidade. A próxima etapa será a modernização da coleta seletiva ponto a ponto, com a instalação de novos contêineres e automação do processo de recolhimento por parte dos caminhões. As iniciativas seguem as diretrizes propostas pelo Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de Belo horizonte (PMGIRS-BH) ao estabelecer como um dos projetos estratégicos a ampliação do Programa Municipal de Coleta Seletiva.

Reportagem: Brígida Alvim / INSEA
Fotos: Gilberto Chagas / MNCR

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nossos Parceiros

A dedicação e empenho dessas instituições, tornaram possíveis a produção e continuidade dos projetos desenvolvidos pelo INSEA.


Hoje o Insea atua em mais de 20 projetos com o apoio dessas instituições. Sua empresa também pode ajudar a construir esta história! Entre em contato! Entre em contato!

cemig
ABHIPEC
danone-novo_cilco-parceiro-logo
dka_austria
wiego
Funcacao-bb
petrobras
governo_federal-insea
mncr
Desenvolvido por mOiDesign.
Todos os direitos reservados | INSEA